SIMPLICIDADE E ESPIRITUALIDADE


SIMPLICIDADE E ESPIRITUALIDADE

O caminho para a espiritualidade é simples, pois só com simplicidade é possível viver o que a espiritualidade é, em sua forma mais pura.

Mas ser simples nos dias de hoje, voltar à simplicidade nos pensamentos e intuições, sem interferências e perturbações diversas, não é fácil. Temos de reaprender a sermos simples em tudo, em viver simplesmente como criaturas espirituais que somos. Vivenciar a espiritualidade, proveniente do âmago mais íntimo do ser humano, deveria ser um dos atos mais naturais e espontâneos. No entanto, essa naturalidade há muito se perdeu.

A espiritualidade singela e verdadeira só é capaz de ser reconhecida e intuída por uma sintonização compatível com ela. Uma sintonização de mesma espécie e de mesma vibração. Um foco de vida exclusivamente terreno ou racional jamais distinguirá seus leves tons, jamais ouvirá sua voz sussurrante nesse mar de luzes caóticas em que vivemos, nesse mundo tão ruidoso, pronto a desviar qualquer um de buscas mais elevadas.

Para nos aproximarmos da espiritualidade, para tocá-la intuitivamente com a ponta dos dedos e a amplitude do coração, temos de nos voltar para ela de maneira simples, como ela o é, em estado de tranquilidade interna.

Vivemos tempos confusos, lutamos para respirar debaixo de uma enxurrada de entulhos mentais e emocionais. Tudo isso causa dispersão e alheamento do espírito, afastando-nos de reflexões e conexões mais aprofundadas, sem mesmo nos darmos conta disso. A natureza de tudo que é espiritual, de tudo o que é leve, fluido e sutil, não pode ser notada em meio ao barulho intermitente do dia a dia, entre preocupações e distrações.

Somente o estado de espírito simples e sereno, interiormente aberto, humilde e atento, aplaina o caminho para a percepção da intuição, que é a voz do espírito. O pensar simples, a mente e o espírito receptivo, abrem brechas nas matas cerradas do embotamento racional, da alienação, da dispersão, do frenesi diário, das ilusões e das vaidades, das obsessões de todo tipo, que nos prendem em labirintos fechados, carentes do ar puro proveniente do saber verdadeiro.

É muito fácil, aliás, encontrar “saberes” de toda espécie hoje em dia, pois estão disponíveis como produtos de prateleira. Difícil mesmo é encontrar o saber verdadeiro, aquele que liga a busca de conhecimento diretamente a nossas experiências mais profundas, indicando-nos com singeleza o aprendizado a extrair das vivências

Só a simplicidade possibilita o reconhecimento do Criador – a Fonte da Vida e origem de todo o espiritual. A simplicidade permite o surgimento da humildade, e esta mostra com clareza nosso real lugar no Universo. A humildade legítima nos permite enxergar nosso verdadeiro tamanho e importância no Universo; ela nos faz aprendizes de sabedoria, nos faz capazes de transformar nosso entorno com uma força insuspeitada.

Seres espirituais, nem mais nem menos do que isso. Capacitados a ouvir e seguir a voz de seus espíritos, para viver na Terra tal como dispõem as leis que governam a Criação. Esses somos nós.

O estado equilibrado do ser humano, em contato com sua natureza espiritual, é o da simplicidade genuína, que o capacita a alcançar a humidade e, a partir daí, a sentir legítima gratidão para com seu Criador e tudo o que foi criado. Esse estado de alma o torna receptivo a tocar a essência de todas as coisas criadas, incluindo nisso a si mesmo e o até então desconhecido mundo invisível que o rodeia.

A felicidade é dos simples. Só dentro deles há espaço livre para caber todo o Universo.

Caroline Derschner

Roberto C. P. Junior

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