AINDA SOMOS OS MESMOS


AINDA SOMOS OS MESMOS

Geralmente o início de dezembro marca o início da correria que caracteriza o Natal. As pessoas começam a fazer a lista de presentes. Há uma pressão subjetiva para atender aos pedidos. Além disso, é preciso decorar os locais, é preciso conseguir dinheiro, é preciso arrumar tempo, é preciso se apressar.

No final, a dinâmica do Natal moderno se resume em pedir ou não, e ganhar ou não.

O desejo de querer receber algo, sem uma contrapartida de dar alguma coisa em troca, parece estar aderido à nossa personalidade. Está enraizado como uma erva daninha que abafa nossa capacidade de agradecer.

Mesmo nos Natais, nossa oração, na maioria das vezes, não se distancia de um exigir egoísta. E isso a transforma em um mendigar espiritual.

Se pensarmos bem, não mudamos muito desde que Jesus esteve na Terra em um ato de extrema graça do Criador. Enviado tão somente para nos ensinar a direção certa a seguir através de suas parábolas, o Filho de Deus se viu alvo dos mais variados pedidos.

Onde quer que chegasse, havia alguém a lhe suplicar por algo. E como ele era o próprio Amor de Deus, atendeu a alguns destes pedidos. Ele curou, trouxe de volta à vida, apaziguou o medo dos discípulos em relação às intempéries.

Conforme relato desses eventos, transcritos na Bíblia, pode-se contar nos dedos aqueles que, beneficiados com um ato de amor de Jesus, tenham externado sua gratidão. Pelo contrário. É até conhecido o episódio da cura dos dez leprosos, no qual apenas um deles teria voltado para agradecer o Mestre.

Parece que as pessoas daquela época só se interessavam em proveitos imediatos. De sua Palavra salvadora, quase ninguém queria saber. E nenhum dos que conviveram com ele foi capaz de pressentir a imensa tristeza de Jesus ao se certificar de que apenas jogava pérolas aos porcos.

Passados mais de dois milênios, estamos a correr com nossas listas de pedidos para atender nossos desejos. Para fazer nossa alegria material, e não para proporcionar proveitos ao espírito.

E proveito espiritual reside no reconhecimento da vontade do Criador. Está no reconhecimento da imensurável graça que Ele nos ofereceu, concedendo a Criação para nosso desenvolvimento. Também está no reconhecimento de que Ele nos enviou uma parte do seu próprio Amor, para nos ensinar com sua Palavra o caminho para as alturas, com vistas à sobrevivência espiritual.

Procuremos, pois, o proveito real para o nosso espírito neste Natal. Que possamos agradecer, mais do que pedir.

Um bom começo seria: “Obrigado, Senhor, pela Graça de eu poder existir em Vossa Criação”.

Bernadete Ribeiro

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