BRASIL COM S

16.04.2020

 

BRASIL COM S
 

Quando perguntam à minha mãe onde faz hidroginástica, ela costuma responder com um lacônico: “lá perto de casa”. É que minha mãe faz parte desses milhões de brasileiros que falam apenas sua língua natal. Para ela, o nome da sua academia é impronunciável: New Gym.

 

O caso de minha mãe é apenas um pequeno exemplo de como o nosso português vem sendo atropelado pelo inglês, o que deixa uma boa parte dos brasileiros sem entender mensagens simples, como liquidação, café da manhã, sala de exposições, loja, compras, tempo, parada, etc, etc.

 

A mania nacional de “inglesar” termos é apenas a ponta do iceberg que vem pressionando o alinhamento de nossa cultura à língua, e aos costumes estrangeiros, principalmente americanos.

 

Ouvi de um alemão que o português falado no Brasil “soa como música”. É harmonioso, é bom de se ouvir, disse ele. E já ouvi comentários parecidos de outros estrangeiros.

 

Na verdade, não só a língua, mas como os costumes, vestuário típico, comida, música, arte, etc., são únicos em cada povo, e deveriam ser preservados como um tesouro.

 

Cada país é único em suas peculiaridades que se desenvolvem em sintonia com o lugar onde estão localizados no planeta. Tenho para mim que o calor do sol amolece o coração dos habitantes abaixo dos trópicos e nos torna mais afetuosos, amorosos, alegres. Nos países do norte as características geográficas e do clima condicionaram povos mais formais, mas de uma incrível ordem e disciplina.

 

Somos heterogêneos, como tudo na natureza. Nenhuma evolução nasce da uniformização. Por isso, penso que cada país deveria crescer e se desenvolver tendo como base principalmente a sua própria cultura, incluindo idioma, música, tradições, geografia, beleza e costumes; e não menosprezá-la, substituindo-a pela imitação de alguma outra estrangeira. Toda cultura precisa de movimento e evolução, e ideias de longe podem até servir como fonte de inspiração para criações novas, mas que sejam genuinamente brasileiras ou adaptadas à nossa realidade.

 

O crescimento deveria ser impulsionado pela troca, pela complementação de experiências bem-sucedidas entre um país e outro. Isso sim consiste no verdadeiro progresso para cada povo.

 

Gostaria que um dia, minha mãe pudesse responder com toda a segurança: “eu me exercito lá na Nova Academia!” E como uma boa mineira, apenas complementasse a resposta com o nosso indefectível “Uai!".

 

Bernadete Ribeiro
 

 



 

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