O CORPO COMO TEMPLO


O CORPO COMO TEMPLO A relação do corpo com o cultivo da espiritualidade é muito mais estreita do que em geral se imagina. Somente contando com um corpo sadio, o espírito, que é nosso âmago mais profundo, consegue interagir plenamente com o mundo material, moldando-o e transformando-o desde suas realidades mais visíveis até as mais sutis, como o mundo dos pensamentos.

“Cuidar do corpo”, porém, não se restringe a dietas, exercícios e intervenções estéticas. Longe de ser só uma frase de propaganda, significa mantê-lo sadio, forte e equilibrado. Mantê-lo consciente também, alerta e em movimento. Com isso, o corpo inteiro evidenciará harmonia, como resultado de uma ferramenta saudável, viva e presente, trabalhada pelo espírito.

É um pouco difícil enxergar como o cuidado com o corpo físico pode ter alguma influência no desenvolvimento do espírito, de constituição tão diversa. Acontece que o espírito não atua longe ou ao lado do corpo, e sim dentro dele. Nosso corpo o guarda como um bem precioso, e tem como tarefa servi-lo nessa existência da melhor maneira possível. Uma vez cumprido seu papel, o corpo retorna à terra, enquanto o espírito segue sua caminhada de evolução. Mas enquanto o espírito está revestido de um manto corporal, e se manifesta através dele, é necessário cuidar para que este não atrapalhe ou dificulte a atuação espiritual.

Por exemplo, quando estamos doentes, nosso corpo nos impede de levar a vida diária normalmente, com entusiasmo e vivacidade. Um corpo doente pode nos atar à cama por alguns dias, ou mesmo influenciar nossos ânimos e pensamentos durante longos períodos, em caso de enfermidades graves. Ficamos impedidos de atuar corretamente ou com toda a potência de que somos capazes. É como se alimentássemos um motor com uma baixa tensão elétrica. Ele vai girar mais lentamente e com menos força.

Algo semelhante à doença ocorre quando o corpo se encontra mal cuidado, fraco, extenuado, mal nutrido ou desequilibrado. Dormir poucas horas por dia, por exemplo, provavelmente não fará ninguém deixar de se movimentar ou trabalhar, mas afetará o sutil equilíbrio energético corporal, que permite ao espírito manifestar-se em sua plenitude. Um corpo agredido por dietas desequilibradas ou venenos, como o cigarro e outras drogas, perde muito de sua energia. Sua vibração muda, e com isso a atuação do espírito fica comprometida ou até mesmo estancada.

Como é sabido, há uma estreita relação entre desequilíbrios bioquímicos – que afetam impulsos eletromagnéticos ou energéticos do corpo – e estados de depressão. E isso pode ocorrer em diferentes níveis, de um simples estresse ou desânimo cotidiano, até um estado de total prostração, mau humor ou ansiedade.

É um erro também imaginar que basta não alimentar vícios pesados para ficar livre de problemas maiores com o corpo, pois se ele for mal cuidado, sempre reagirá com um desequilíbrio qualquer. Uma dieta radical ou que estipule restrições unilaterais, assim como o excesso de carne, bebidas alcoólicas ou açúcares, já são capazes de promover enormes alterações no funcionamento do corpo e suas irradiações, afetando nosso modo de ser. Do mesmo modo quando se faz uso indiscriminado de medicamentos, ou a falta de movimentação ou sono, e até mesmo desperdício da energia sexual.

O corpo é um templo, o templo do espírito! Um templo que precisa ser mantido livre, sadio e limpo. É por meio do corpo que o nosso espírito atua, vivencia e evolui. Se abusamos do corpo por qualquer meio, então não temos mais o direito de portá-lo são, livre de doenças e perturbações de qualquer tipo.

Proporcionar condições adequadas para este período da nossa existência, em que corpo e espírito coexistem, não é um cuidado supérfluo ou uma preocupação afastada das necessidades cotidianas. Ao contrário, é um zelo natural e objetivo. Um corpo bem tratado responde auxiliadoramente ao seu portador com alegria e energia para vencer todos os desafios do dia a dia, em cada respiro, em cada célula sadia, em cada silencioso movimento de seus ritmos internos, em maravilhosa perfeição.

Caroline Derschner

Roberto C. P. Junior

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